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"Julian Assange" by acidpolly is licensed under CC BY-NC-SA 2.0

Dez anos das revelações documentais do WikiLeaks nos Estados Unidos

Em novembro de 2010, um grupo de denunciantes revelou mais de 250.000 documentos diplomáticos dos Estados Unidos, o que levou à instauração de processos legais contra Julian Assange e Chelsea Manning.

Essas publicações incluíam, entre outras coisas, um vídeo da morte de civis e jornalistas em Bagdá, no Iraque, durante um ataque aéreo dos EUA. Na sequência dos vazamentos de novembro de 2010, as autoridades norte-americanas, bem como a Suécia, anunciaram processos criminais contra Assange.

Das 251.287 mensagens diplomáticas de novembro de 2010, nenhuma era considerada ultrassecreta, apenas cerca de 15.000 tinham a classificação de secreta, com as restantes sendo consideradas menos importantes.

Posteriormente, o portal do WikiLeaks publicou documentos norte-americanos sobre quase todos os detentos da prisão de Guantánamo, expôs mais de 160 empresas de vigilância em massa, revelou relatórios sobre as atividades da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, bem como o arquivo da plataforma de inteligência geopolítica Stratfor dos EUA.

Provavelmente o evento mais importante do WikiLeaks foi o vazamento de documentos comprometedores para o Partido Democrata dos EUA na segunda metade de 2016, antes das eleições presidenciais no país norte-americano, que indicaram um favorecimento da candidata Hillary Clinton, em detrimento de Bernie Sanders, e que poderiam ter contribuído para sua derrota final contra Donald Trump.

Como resultado da publicação, as agências de inteligência norte-americanas disseram “com um alto grau de confiança” que os documentos publicados pelo WikiLeaks foram roubados por hackers russos. A Rússia e o WikiLeaks negaram as alegações, mas muitos veículos de imprensa do país norte-americano acreditaram nas acusações e começaram a confiar menos na plataforma de vazamento.

Por conta de tais publicações, Assange, fundador do grupo WikiLeaks, pode responder por espionagem e conspiração nos EUA. Ao todo, são 18 acusações, que podem render uma pena de 175 anos ao jornalista. Autoridades norte-americanas teriam dado garantias verbais ao Reino Unido de que Assange não corre risco de ser condenado à pena de morte, nos EUA.

O grupo Não Extraditem Assange (DEA, na sigla em inglês) apelou na sexta-feira (27) por clemência a Assange que está preso em Belmarsh, Londres, aguardando decisão sobre extradição para os EUA. A decisão deverá ocorrer em 4 de janeiro de 2021.

“As publicações também revelaram que os governos classificaram em demasia informações e mantiveram segredos que deveriam ter sido sujeitos ao escrutínio e debate públicos e que revolucionaram genuinamente nossa compreensão da realidade política”, aponta o DEA sobre os vazamentos, oficialmente denominado de Cablegate.

Influência de Manning

Chelsea Manning, na época chamado Bradley Manning, ativista e denunciante político, foi um dos coparticipantes do vazamento, apesar de se ter limitado a copiar os dados e os enviar ao WikiLeaks. Mais tarde, Manning revelou ter relações laborais com Assange, tendo sido preso em maio de 2010, em meio à publicação dos dados pela organização.

Para evitar ser condenado à morte por “ajuda ao inimigo” nos EUA, Manning admitiu dez das 22 acusações e pediu desculpa pelos atos, sendo assim condenado a 35 anos de prisão.

Em janeiro de 2017, o ex-presidente dos EUA Barack Obama reduziu a sentença para sete anos, levando à sua libertação em 17 de maio desse ano. Em fevereiro de 2019, ela foi chamada para novo processo judicial como testemunha contra Julian Assange e o WikiLeaks, ao qual se recusou a comparecer, levando a nova prisão.

Manning foi libertada pela última vez em 12 de março de 2020, se encontrando neste momento em liberdade.

Fonte: Opera Mundi

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